Pesqueiros | Técnicas e Dicas

Pesca com Bóias Cevadeiras

Pescando com Bóia Cevadeira

 

Hoje em dia, a modalidade que mais ganha adeptos nos pesqueiros é a pesca com bóia cevadeira. Isso porque é um estilo de pesca muito dinâmico e extremamente produtivo para todas as espécies que habitarem o lago, pois a técnica se baseia em “enganar” o peixe usando sua alimentação habitual que é a ração jogada na superfície.

 

Em vista disso, nossa equipe percebeu que ainda surgem muitas dúvidas referentes a essa prática. Nessa matéria vamos mostrar todos os aspectos dessa modalidade, desde a escolha do equipamento até a preparação e escolha correta da isca.

 

A Modalidade

 

A pesca com bóia cevadeira é muito mais do que colocar a ração no copo da bóia, arremessar e esperar o peixe fisgar, aliás, ela esta longe de ser uma pesca de espera como a maior parte das modalidades de pesqueiro. Ela exige do pescador uma enorme dose de persistência, concentração e agilidade. Existem centenas de combinações de iscas, cores e profundidade da isca que podem fazer toda a diferença, cabe ao pescador fazer uma leitura correta do lago e achar a combinação certa para capturar aquela determinada espécie naquele determinado momento.

 

Basicamente o conjunto consiste em uma vara, carretilha, bóia cevadeira, uma bóia pequena, anzol, isca e ração a ser usada como ceva.

 

As Varas

 

As varas não devem ser pequenas nem ter a ação muito lenta, isso porque quando o lago é grande será necessário fazer longos arremessos e quando a bóia pequena afundar a fisgada tem que ser rápida. As varas mais usadas são as de 2,40 m e de 2,70 m e variam de 17lb a 50lb.

 

Três marcas de varas hoje são as preferidas; Kenzaki da Sumax, Clarus da Shimano e a Pampo da Albatroz. Cada uma leva pelo menos uma vantagem sobre as demais e vai variar do gosto de cada pescador. Então fizemos uma pesquisa e montamos uma tabela comparativa entre elas.

 

  Arremesso Fisgada Peso Blank Passadores R$* Resistência Total
Kenzaki 8 10 8 9 10 10 10 65
Clarus 9 9 9 10 10 8 9 64
Pampo 10 8 10 8 8 9 7 60

* Como nota mais alta demos o valor mais em conta.

Tomamos por base a nota 10 para a melhor em nossa preferência e fomos reduzindo de acordo.

 

Varas indicadas para a Pesca com bóias cevadeiras

 

Conhecemos opiniões de pescadores que adoram a Pampo e não se adaptaram à Kenzaki ou a Clarus e vice-versa. Por isso é importante ir até uma loja e conhecer as varas pessoalmente. Mesmo porque, há sempre novidades aparecendo no mercado.

 

As Carretilhas

 

As carretilhas também variam do gosto de cada um. As de perfil baixo levam grande vantagem na preferência, mas isso não é regra. É perfeitamente possível usar uma de perfil alto desde que tenha ajuste fino, que não seja pesada e que tenha capacidade de arremessos longos. Carretilhas de perfil baixo podem variar em distância dos arremessos, capacidade de linha e etc, mas em bom estado, não farão diferença significativa no resultado. Vai do gosto e do bolso de cada pescador.

 

Carretilhas

 

Não aconselhamos molinetes para esta prática. O molinete dificulta o arremesso tanto em distância como em precisão.

 

As Linhas

 

As linhas de monofilamento proporcionam um arremesso mais longo e suave, mas como nessa prática são necessários vários lançamento durante um período curto de tempo, elas se desgastam muito mais rápido. É aconselhável trocá-la também quando a linha estiver com memória, pois a memória dificulta na hora da fisgada, quanto mais esticada estiver a linha na hora da fisgada melhor. Deve-se usar linhas entre 0,30mm e 0,40mm da marca de sua preferência.

 

Já as linhas de multifilamento possuem uma limitação maior nos arremessos, porém seu desgaste é muito menor. Além disso, por não possuir elasticidade nem memória, a fisgada é mais forte e seca. Deve-se usar linhas entre 0,20mm e 0,30mm da marca de sua preferência.

 

A Bóia Cevadeira

 

Bóia cevadeira é uma bóia parecida com a bóia torpedo, porém possui um compartimento de plástico chamado de “copo” onde se coloca  a ceva. Ao cair na água, o isopor sobe e o copo desce liberando a ceva na água.

 

Bóias Cevadeiras

 

Hoje, existe no mercado uma grande variedade de marcas de bóias cevadeira. O principal é o tamanho do copo onde será colocada a ceva. Se for cevar um lugar sozinho em um lago grande ou se estiver ventando muito, é aconselhável usar um copo maior para obter um melhor aproveitamento de ceva a cada lançamento. Se o lago for grande, mas existem mais pescadores cevando o ideal seria uma bóia com o copo médio para dividir a ceva e ainda obter um lançamento longo.

 

O Chicote

 

O chicote deve ser sempre de linha monofilamento porque a linha multifilamento, depois de molhada, enrolará na linha durante o lançamento com muito mais facilidade. Para a pesca dos redondos usa-se linha 0,40mm a 0,50mm, as demais espécies pode ser uma linha mais fina.

 

Exemplo de montagem de uma bóia cevadeira

 

O tamanho pode variar. Parta do princípio de que um chicote muito curto fará com que a boinha se esconda atrás da bóia cevadeira e dificulte sua visualização e um chicote extremamente longo dificultará o arremesso. Então o ideal é que se faça o chicote do mesmo tamanho da vara ou no máximo com 50 cm a mais.

           

A Bóinha

 

A bóinha tem duas funções muito importantes. A primeira e mais obvia é sinalizar o momento da fisgada. A outra função é regular a altura do anzol, para isso é necessário que a bóinha possa “correr” por toda a extensão do chicote.

 

Os peixes mudam constantemente de atividade. Quando lançada a ceva e nenhum peixe subir, não significa que eles não estão ativos, mas podem estar se alimentando em uma faixa mais abaixo. Regulando a altura da bóia pequena, o pescador deve “procurar” o peixe. Por isso é muito importante estudar o lago durante a pesca com cevadeira, para tentar entender as várias mudanças de comportamento do peixe durante a pescaria. Por exemplo, os tambas geralmente se encontram em uma faixa de 1 metro na parte da manha e se alimentam bem na flor da água no fim da tarde, mas isso não é regra, caberá apenas ao pescador, regular a altura e descobrir onde os peixes estão.

 

Os Anzóis

 

Basicamente são usados 3 tipos de anzóis; Chinú, Maruseigo e o anzol de Robalo. A decisão pelo anzol deve ser a partir da escolha da isca.

 

Modelos de anzóis mais utilizados na pesca com cevadeiras

 

O Chinú deve ser usado para as chamadas iscas “moles” como a ração na pinga e a ração seca furada. Isso porque, devido seu formato, as demais iscas sairiam com facilidade do anzol. Além disso, muitas vezes a isca dura trava e não permite uma fisgada eficiente permitindo que o peixe escape com mais facilidade. Aconselhamos o uso do Chinú números 06, 07 e 08, pois não abrem com facilidade e costumam ter ótimos resultados.

 

O Maruseigo deve ser usado para as iscas “duras pequenas” como o caroço de azeitona e o coquinho. Por ser menor que o anzol de robalo inibe menos o ataque. As iscas duras grandes resultariam nos mesmos problemas do Chinú, mas em menor freqüência.

 

O anzol de Robalo terá melhor resultado com as iscas “duras maiores” como as miçangas. Seu formato impede que a isca trave causando a fuga do peixe. Por ter um corpo mais longo permite, dependendo do caso, que se use até três miçangas no mesmo anzol para cobri-lo. Os tamanhos mais usados são 1/0 e 2/0.

 

As Iscas

 

Existe uma infinidade de iscas que podem ser usadas, basta terem a semelhança a  ração. A cada dia surge uma novidade nesse sentido, até pedaço de capa de fio teve resultado positivo. Por isso, neste tema, vamos separar as principais iscas e falar individualmente sobre como devem ser usadas e como prepará-las. As demais iscas seriam derivadas dessas abaixo comentadas.

 

Miçanga

 

A mais famosa e mais utilizada, a Miçanga foi a pioneira deste sistema de pesca. De diferentes cores, tamanhos e formatos, possibilitam ao pescador uma enorme gama de opções. Muito atrativa, já foi mais do que testada e aprovada capturando exemplares de todas as espécies de nossos pesqueiros.

 

Miçangas

 

Tem a vantagem de não sair do anzol, possibilitando assim uma maior agilidade e segurança. Sua desvantagem é que o pescador tem que estar atento, pois o peixe não costuma ficar muito tempo com ela na boca sem ser fisgado, então a fisgada tem que ser quase instantânea ao afundar da boinha ou o peixe provavelmente refugará.

 

Anzol indicado: Robalo 1/0 e 2/0

 

Miçangas

 

Coquinho

 

Excelente isca. De tamanho menor que a miçanga e de grande semelhança com a ração. Pode ser feito pelo próprio pescador, mas é encontrado facilmente nas lojas de pesca. Tivemos ótimos resultados com essa isca, principalmente na pesca de carpas e tilápias.

Anzol indicado: Maruseigo nº 16

 

Coquinho

 

Caroço de Azeitona

 

Isca relativamente nova que vem conquistando muitos adeptos. Do segmento de iscas duras é a isca que vem mostrando melhor desempenho naqueles dias em que o peixe está “manhoso”. Não é encontrada em lojas de pesca, mas ao contrário do que muitos pensam, seu preparo é simples. Tire toda a “carne” da azeitona e deixe o caroço secar por aproximadamente dois dias. Corte as pontas do caroço. O miolo do caroço é oco, contendo uma semente mole que pode ser retirada com o arame de clipes, por exemplo.

Ao final, arredonde as extremidades com uma lixa e a isca estará pronta.

Anzol indicado: Maruseigo nº 16

 

Como preparar a imitação de ração, utilizando o caroço de azeitona

 

Ração na Pinga

 

A ração na pinga é uma isca que atinge excelentes resultados até mesmo naqueles dias mais fracos. Isso porque obviamente ela é idêntica à ceva que os peixes estarão comendo. Além disso, ela não oferece resistência nenhuma ao peixe como as iscas duras, por isso o peixe demora mais tempo pra perceber o anzol e o pescador ganha momentos valiosos para fisgar. O lado negativo dessa isca é que ela não agüenta muito tempo no anzol, cerca de três a cinco minutos.

 

Seu preparo é rápido e fácil. Pegue uma forma de pizza e espalhe a ração de forma que não fique umas sobre as outras. Coloque um pouco de pinga dentro de um borrifador e espirre de maneira homogenia por toda a ração ate todas estarem úmidas. De uma mexida na forma para virar as rações e repita a operação. Faça isso até perceber que estão todas úmidas por inteiro. Para armazenar, pegue uma garrafinha de plástico vazia e borrife um pouco de pinga dentro, só pra umedecer as laterais, e vá colocando a ração dentro. A cada três dedos de ração, vire a garrafa e de umas quatro borrifadas. Fazendo dessa forma a ração não ficará encharcada e estará sempre no ponto para usar, até mesmo vários dias depois.

 

Ração na Pinga

Ração na Pinga

Ração na Pinga

 

Para conservá-las, deixe sempre a tampa da garrafa fechada, caso contrário o álcool evapora e a ração seca.

 

Anzol indicado: Chinú nº 06 e 07

 

Anzól com Ração na Pinga

 

Ração Seca

 

Possui um efeito similar ao da ração na pinga, com a vantagem de durar mais tempo na água, porém, de contra partida, seu preparo é muito mais trabalhoso. Isso se deve ao fato de que deve-se furar a ração uma a uma com uma broca antes da pescaria. Não é necessário usar uma furadeira, apenas enrole a extremidade da broca com fita crepe e fure a ração com cuidado pra não quebrar. Se a ração for pequena, até 0,8mm, um único furo bastará para o anzol entrar, caso seja maior, será necessário fazer um furo na horizontal e um furo na vertical.

 

Anzol indicado: Chinú nº 06 e 07

 

Ração Seca - Modo de Preparação

 

E.V.A

 

A bolinha de cortiça ou o E.V.A. além de ser uma isca, pode funcionar como um acessório extremamente importante. Existem momentos em que os peixes estão comendo bem na flor da água. Nesses casos, usar a boinha muito próximo do anzol pode inibir a ação do peixe. A solução é a cortiça ou o E.V.A., pois eles se assemelham a ração e flutuam, fazendo com que o anzol e a isca também fiquem na superfície.  Coloca-se no olho do anzol ou um pouco acima. Dependendo do tamanho do anzol, devem-se usar mais do que um, deixando o primeiro no olho do anzol e os demais na linha com uma distância de um dedo aproximadamente. Quando usar essa ferramenta, procure deixar a boinha com distância de 50 cm a um metro do anzol.

 

Anzol indicado: Todos

 

Cortiça ou EVA

 

 

As Dicas

 

  • Faça leitura do lago constantemente;
  • Quando arremessar, procure visualizar o chicote para ver se não enrosca;
  • Antes da bóia bater na água, freie a carretilha e dê uma pequena fisgada, fazendo com que a boinha caia na frente da cevadeira;
  • Se o chicote enroscar várias vezes seguidas durante o lançamento, é sinal que está na hora de fazer outro;
  • Evite que a linha faça “barriga”, isso prejudicará a fisgada. Pode-se reduzir as “barrigas” dando pequenos toques de vara para cima;
  • Não use chumbo como âncora, se estiver ventando recolha antes do deslocamento;
  • Varie a altura da boinha e as iscas constantemente até achar a combinação certa;
  • Respeite os outros pescadores. Não ultrapasse os limites durante os arremessos.

 

Espero que tenham gostado!

 

Dúvidas, críticas ou sugestões:  gustavo.vibian@propesca.com.br

 

Texto e fotos registrados. Publicá-los integralmente ou parcialmente sem autorização acarretará em ação penal.

Texto: Gustavo Vibian

Fotos: André Shiwa e David de Marchi


GALERIA DE FOTOS

LEIA TAMBÉM

 
Pesqueiro Córrego das Antas
Equipe Pró Pesca viajam 550km pra fisgar os tambas gigantes do Pesqueiro Córrego das Antas


 
Centro de Pesca Taquari
Daniel e Gustavo fisgam vários tambas de bom porte neste excelente pesqueiro localizado em São Roque!


PUBLICIDADE





ENQUETE

Que tipo de matéria você gostaria que o Pró Pesca publicasse com mais frequência?



NEWSLETTER

Receba as novidades do Pró Pesca diretamente no seu e-mail



PARCEIROS